O dia 12 de junho é marcado pelo Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, uma data que deve servir de chamado à mobilização por uma sociedade justa, na qual nenhuma criança seja obrigada a trabalhar. A persistência desse problema escancara as faces de um sistema predatório que explora o povo preto e periférico, inclusive seus filhos.
O Brasil, historicamente, assume compromissos para erradicar o trabalho infantil, como a adesão às Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a formulação de diversas políticas de proteção à nossa juventude.
Entretanto, a realidade nas periferias segue sendo cruel: crianças continuam sendo forçadas a trabalhar para, muitas vezes, ajudar no sustento de suas casas. De acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), em 2025, mais de 500 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos se encontram em situação de trabalho infantil no Brasil. Dessas, 63% são negras; no trabalho doméstico, 73,5% são negras e 90% são meninas. Essa realidade exibe o recorte que o sistema capitalista impõe, com base em raça, gênero e etnia, um trabalho forçado e forjado pelas mãos do racismo e da misoginia, que gera lucro às custas da fragilização da vida.
É urgente erradicar o trabalho infantil! Precisamos fortalecer e ampliar as políticas públicas que assegurem o acesso à educação de qualidade, ao lazer, à cultura e à proteção social para as nossas crianças. É fundamental romper com o ciclo da miséria e garantir que a juventude possa crescer, estudar e se desenvolver em uma sociedade livre dessas amarras impostas pelos opressores.
Nenhuma criança deve trabalhar! O trabalho infantil é a negação do futuro. Seguiremos em luta por uma sociedade sem exploração, construída pela derrubada deste sistema e pela implementação de um novo projeto, justo e solidário. Só a luta muda a vida!